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Robert Rios, a greve e a violência

Hoje, oito de maio, está em andamento o 72º dia de greve dos professores estaduais do Piauí. Também hoje foi noticiado nos principais portais da cidade um fato que, de tão absurdo, me intimou uma crítica.

Tentando uma fuga de suas responsabilidades como secretário estadual de Segurança Pública, Robert Rios teve a infelicidade de proferir que “Milhares de jovens foram arrancados das salas de aulas. […] Toda vez que uma greve dessas ocorre, há um aumento no consumo de drogas e da violência. Um exemplo que confirma isso é que no interior do estado a situação está normal, ao contrário da capital. […] A culpa é das escolas paralisadas”, como raciocínio para o alarmante crescimento dos índices de violência na capital.

De tão insensatas que são essas palavras, é possível ficar até sem se saber o que fazer, o que pensar. É muito preconceito e muito atrevimento por parte de um político - figura pública - levantar tal relação entre educação pública e violência.

Considerando que a maioria das pessoas que usufruem de escolas públicas são de baixa renda, o secretário de segurança comete equívocos ao jogar para essas mesmas pessoas toda a responsabilidade pelos níveis de violência e uso de drogas que ocorrem e crescem na cidade, uma capital.

Será que os usuários de drogas, em Teresina, são apenas indivíduos das classes menos remuneradas? E as drogas mais caras, quem consome? Quis dizer então, o senhor Robert Rios, que quem tem dinheiro está a salvo da praga das drogas ilícitas? E no interior do estado, não há tráfico de drogas e seu consumo? Será mesmo que não? Grave engano.

Outra visão preconceituosa dita pelo secretário corresponde à ideia de violência associada às camadas menos abastadas. Que argumento provaria que, por não ter uma condição financeira próxima da condição da elite da cidade (composta por muitos políticos, inclusive) um indivíduo cometerá crimes? Nada justifica. Há meses uma jovem foi assassinada na capital e os principais suspeitos são muito bem abastados. Pena que os órgãos públicos de segurança não foram capazes e independentes o suficiente para concluir o caso…

E o que dizer dos crimes contra a população que muitos políticos praticam? Crimes estes que vão de atropelamento de professores à desvio de dinheiro público, passando pelo nepotismo? Robert se mostra muito equivocado.

Finalizo essa crítica com o lamento de a cada dia podermos perceber, enquanto sociedade, a verdadeira e deprimente face dos que foram escolhidos para nos representar e a preocupação destes em fantasiar histórias que justifiquem suas falhas enquanto gestores.

Diga o que disser. A greve continua.