A Veja amarelou

Capa da revista Veja

13 de maio de 2012: domingo, feriado do Dia das Mães; tenho em mãos a última edição da revista Veja que, surpreendentemente (ou propositalmente) deixa a data festiva passar em branco. A empresa, totalmente fiel a seus ideais políticos e econômicos reserva o espaço completo da capa para anunciar matérias de autodefesa e ataque a seu velho alvo de combate: o partido nacional que mais representa a esquerda política.

As razões para tal são óbvias e atuais: a revista é alvo de denúncias sobre ligações com políticos corruptos, por utilizar sua grande visibilidade como meio de comunicação para defender partido X e atacar, sem pena, partido Y.

Como inevitável impacto dessas suspeitas, o periódico perdeu a credibilidade com muitos leitores, e como tentativa de reverter esse quadro apelou para mais algumas falsas notícias.

Em longas letras está como um título daquela edição a frase: “A imprensa acende a luz.”. Um pouco acima, na foto da capa, vê-se uma lanterna acesa sobre um papel, direcionada para o artigo 220 da Constituição Federal, o qual refere-se à liberdade de imprensa. Sua parte mais nítida diz: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”. Indiretamente, Veja tenta buscar um apoio legal para basear uma falsa liberdade de imprensa que ousa dizer que faz uso. Passa a considerar legítimas as acusações de corrupção e conduta incoerente frequentes a partidos políticos, que algumas vezes não chegam a comprovações, como exemplo de exercício de cidadania e modo de dar voz à liberdade/libertação.

Na parte superior da capa, são enunciadas mais três matérias.

A primeira resume-se a: “Como ruiu a tentativa dos mensaleiros de usar a CPI do Cachoeira para atacar a Veja.” Como é de hábito, não perde a oportunidade de citar, pelo termo “mensaleiros”, seu alvo mais atacado: o PT (e por consequência seus aliados). Diz ainda que as acusações de vender-se a políticos para adquirir informações e difamar o outro partido não passaram de meras tentativas sem sucesso, que “ruíram”. Será mesmo que a revista tem tanto controle sobre a reação do público diante das denúncias envolvendo seu nome? E quem ataca quem nesse embate de décadas?

O segundo texto diz: “Antonio Fernando, ex-procurador-geral da República: ‘Negar o mensalão é uma afronta à democracia’.” Aqui, tenta utilizar a opinião de um profissional de alto cargo público para elevar a relevância da afirmação, a qual é compatível com seus ideais. Novamente tenta atacar os mensaleiros - PT e aliados - e, ainda, desviar a audiência de suas falhas para a grande falha daquele partido, já conhecida há tempos.

Por último, tem-se: “As táticas de guerrilha para manipular as redes sociais.”. Incansavelmente, mais uma vez faz referência negativa à Esquerda quando usa o nome “guerrilha” unido ao verbo “manipular” (prática corriqueira da empresa Veja). E tenta falsear a reação do público potencializada nas mídias - livres - sociais de crítica intensa à revista, dando um caráter vazio de mera manipulação.

A revista já percebeu o enorme poder conscientizador e de debate que as mídias sociais proporcionam a seus usuários. Nelas não há polarização de notícias devido a seu enorme campo. Não há espaço para dominação de um sobre outro; existe espaço suficiente para todos. E, mesmo que sem querer, Veja definiu exatamente o caráter de sua vilã: Uma imprensa que acende a luz.

Aqui não há portas nem janelas que impeçam a luz de entrar. Se no mundo do papel escreve-se o que mandam, no mundo dos fios e das telas transmite-se o que se quer. E um dos principais desejos dessa nação jovem e maltratada é verdade e justiça.

Que se combata a imprensa suja, amarela. Que seja dada luz à verdade.